Amamentação e o câncer de mama

Em homenagem ao Outubro Rosa e pensando na importância da capacitação de profissionais para o manejo clínico da lactação nessa população, nos próximos dias trarei aqui na página informações valiosas retiradas de uma revisão recente com recomendações baseadas em evidências para o gerenciamento da lactação em sobreviventes de câncer de mama. Espero que aproveitem o conteúdo!

A relação entre amamentação e câncer de mama é multifacetada. Embora uma maior duração de amamentação esteja associada a múltiplos benefícios à saúde e a um menor risco de câncer de mama ao longo da vida, no pós-parto as mulheres correm o risco de um câncer de mama particularmente agressivo. Um corpo crescente de evidências sustenta várias hipóteses sobre os mecanismos biológicos subjacentes à essas observações, contudo, existe uma escassez de literatura relativa ao manejo clínico da lactação durante ou após tratamento do câncer de mama. Quase toda a evidência disponível vem de estudos observacionais, havendo, infelizmente ainda várias lacunas no conhecimento. Recomendações devem ser utilizadas no contexto de tomada de decisão compartilhada com o paciente, incluindo discussão das limitações dos dados disponíveis.

👉 Devido aos impactos anatômicos e fisiológicos na lactação decorrentes do tratamento de câncer, as mulheres que sobrevivem a um câncer de mama e desejam amamentar podem enfrentar inúmeros desafios, sendo essencial o apoio e orientação profissional.

👉 Embora vários estudos relatem haver um certo temor de que a amamentação aumente o risco de recorrência ou um novo câncer de mama primário, não existem evidências que corroborem essa preocupação.

👉 Pensando nas terapias de conservação da mama (lumpectomia e radioterapia), uma revisão sistemática concluiu que as pacientes podem
produzir leite, mas o volume é significativamente reduzido na maioria dos casos. Tanto a cirurgia quanto a radiação podem afetar a capacidade lactacional. A cirurgia envolvendo a região subareolar pode cortar ductos terminais e obstruir a saída do leite materno. Além disso, incisões periareolares podem afetar a inervação do mamilo e potencialmente afetar o reflexo de ejeção do leite e regulação da produção de leite.Há evidências anedóticas de recanalização (formação de novos ductos) e reinervação após cirurgias de mama não oncológicas; no entanto, os efeitos da radiação provavelmente interfiram nesse fenômeno nos casos de câncer.

👉 Histopatologicamente, as mamas irradiadas exibem alterações e essas mudanças parecem ser irreversíveis. Diminuição da elasticidade do complexo mamilo-areolar e alterações induzidas por radiação na composição do leite, incluindo níveis aumentados de sódio, podem resultar em forte preferência infantil pela mama não afetada.

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Isa Crivellaro
Fonoaudióloga e IBCLC

Fonte: Johnson, HM; Mitchell, KB. Breastfeeding and Breast Cancer: Managing Lactation
in Survivors and Women with a New Diagnosis. Ann Surg Oncol., 2019.

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